sábado, 10 de setembro de 2011

Frente a frente com a adversidade

As adversidades são, na maioria das vezes, uma realidade inescapável. Elas aparecem, e pronto! Todos nós, de alguma forma, já estivemos frente a frente com alguma adversidade: fracasso, doença, morte, perda, tristeza, traição, falência, abandono etc. E, num reflexo que desponta da nossa humanidade convulsionada pela dor, sempre perguntamos: Por que eu? Por que Deus deixou isso acontecer comigo?

Outras vezes a adversidade alheia nos choca e entristece. Quem não sentiu tristeza pelo ataque terroristas de 11 de setembro (que amanhã completa 10 anos) com a perda de milhares de vidas?

Pensemos. A principal questão que as adversidades nos impõem é esta: como manter a fé em face das tragédias?

Alguns simplesmente negam a fé e ficam a se perguntar: Como é que um Deus amoroso fica parado, sem intervir? Colocam a culpa em Deus, como se não tivessem nenhuma responsabilidade diante da vida e da história. Acham que, no palco da vida, somos marionetes nas mãos de um Deus insensível e distante, que não se importa com nosso sofrimento.

Outros não conseguem acatar a dor da vida sem a fé. Tentam enxotar o sofrimento pela tática simplista de ignorá-lo, vivendo uma fé fantasiosa. Tentam fazer desaparecer a tragédia mediante a fé. Isso é um tipo de “abracadabra espiritual” que funciona mais ou menos assim: ‘Se eu tiver uma fé maior, terei a resposta e tudo ficará bem. Basta confessar a minha grande fé e a tragédia desaparecerá’. Mas a tragédia continua lá a fitá-los nos olhos com sua afronta cruel e implacável.

Há aqueles cuja fé os faz sobreviver após uma colisão com a adversidade, porque creem que Deus é Soberano, aborrece a dor e o sofrimento e, finalmente, vai recriar o mundo de tal forma que esses males vão ser eliminados da nossa existência.

Estes sabem que Jesus sofreu a mais injusta das tragédias: mesmo inocente e sem pecado, receber sobre si a culpa de todos os pecados da humanidade e a carga nefasta das nossas enfermidades e dores. Mas, nela, nos tornou participantes de uma Nova Ordem, elevou-nos à condição de filhos de Deus e herdeiros da esperança da vida eterna.

Porém, enquanto isso não vem, sua fé enfrenta honestamente a feiúra deste mundo, crendo firmemente que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

Nessa atitude, a sua fé honra a Deus, porque está bem certo de que “nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.28-38).

Sabemos que o problema maior não é basicamente o grau da adversidade enfrentada, mas o tipo de pessoa que brota dela. A palavra inglesa resiliência traz esse conceito psicológico (emprestado da Física), definido como a capacidade de uma pessoa lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, mas sem desmoronar.

A despeito dessas diferentes posturas, contudo, uma coisa é comum a todos: queremos saber as respostas! Quanto maior o grau da tragédia, maior a busca por respostas que possam aplacar a perplexidade das mentes atônitas.

Na maioria das vezes, porém, não há respostas fáceis ou claras sobre as adversidades que nos atingem. Sendo assim, as nossas melhores incursões são um mero tatear no escuro, pois não temos infalíveis dons de análise.

Às vezes, colhe-se o que foi plantado, como diz a Bíblia: “O que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Em outras, apenas somos vítimas ocasionais dos desarranjos de nosso mundo pecaminoso, pois “o mundo inteiro jaz no maligno” (1 Jo 5.19).

Por isso, estamos sujeitos a enfrentar tragédias, mas devemos manter a esperança, como disse Jesus: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Um dia haverá uma redenção completa. Mas, hoje, temos que viver pela fé e fazer a coisa certa, orando pelos que sofrem e os servindo, orando pela paz no mundo e trabalhando por ela, enfim, para que possamos ter dias melhores.

Portanto, não negue a sua fé, nem a torne uma fantasia. Creia em Deus, apesar das adversidades. Se você não puder encarar a adversidade frente a frente, e, apesar disso, crer em Deus, então talvez nunca crerá em Deus.

Creia em Deus, pois Nele você pode confiar! Saiba que, independente de quem você seja, Deus ama você e quer o seu bem!

Samuel Câmara

Pastor da Assembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
Confira os artigos do Pastor Samuel Câmara, todas as semanas no jornal "O Liberal" -http://www.oliberal.com.br


2 comentários:

Jorge Luis disse...

Pastor, boa noite
Queria fazer uma pergunta ao senhor, muito mais para entender e ver o ponto de vista de um evangélico sobre um determinado assunto, não pense que tenho intenção de critica ou outra coisa que se assemelhe.
A pergunta é a seguinte:
Há alguns anos um trabalho minucioso e difícil foi concluído, a digitalização de uma bíblia antiga (a segunda bíblia mais antiga do mundo), “Codex Sinaiticus”, acredito que você já deva saber disso, mas a pergunta vem em cima do conteúdo do livro, é o seguinte:
O livro não tem todos os livros que contam do Canon bíblico atual, mas a pergunta está em cima dos livros que constam nesse exemplar.
Entre os livros que constam, os livros tidos como apócrifos pelos protestantes e chamados de deuterocanonicos do antigo testamento pelos católicos (existe deuterocanonicos no novo testamento também), dos sete livros contestados pelos protestantes, por não ser inspirados 7 estão dentro desse exemplar, daí vem a pergunta:
Tendo essa descoberta arqueológica, uma prova cabal dos livros usados pelos cristão, quem está certo, os protestantes que dão aos livros católicos da bíblia, chamados de apócrifos pelos protestantes o seu status de não inspirados, ou essa prova que foi achada, e que de forma inequívoca mostra que os cristão tinham e usavam os livros (apócrifos), como sendo inspirados?
Lembrando pastor que muitos dos livros (nesse exemplar) tinham uma pequena introdução e comentários sobre os livros bíblicos contido nesse Canon, e nesses introdutórios aos livros, ficou claro que os mesmos eram considerados inspirados.
Recapitulando:
É um exemplar da bíblia antiguíssima, 2 ou 3 século; onde contem livros tidos apócrifos pelos protestantes, tendo ao iniciar de cada livro um pequeno introdutório (ou texto explicativo), do livro que vinha a seguir, e nesses introdutório ficou claro que os cristão antigos consideravam esses livros inspirados, lembrando que só o livro estando nesse copendio da bíblia já o dá um status de inspirados, e como não fosse o suficiente, os comentários unidos ao texto dão explicações e informações do conteúdo inspirado.
Tendo uma prova dessa natureza, como fica a visão protestante sobre os livros tido como apócrifos?

O site para conferir o texto digitalizado se encontra aqui:
http://codexsinaiticus.org/en/manuscript.aspx

Diácono Valtair disse...

Graça e Paz!
Pr. Samuel que postagem maravilhosa , uma mensagem que fala ao nosso coração , só entende de adversidade quem passou , ou está passando , se olhar-mos para trás tanto o senhor , como eu ou qualquer servo do Senhor já passaram por momentos difícies!
Mas nós sabemos que o nosso socorro é o Senhor dos Exércitos!
Abraço Pr. Samuel sou um admirador do seu profícuo ministério.