sábado, 17 de outubro de 2009

A celebração mais importante

Se fosse para escolher, qual das celebrações deste mês você acharia a mais importante? O dia de Aparecida, o dia das Crianças, o Círio, o dia dos Mestres, o dia da Reforma Protestante ou dia das Bruxas?

As nossas escolhas revelam o que vai dentro do nosso coração, demonstram o valor que damos às causas que embalam a nossa vida. De minha parte, de antemão, elejo com diferença disparada o dia das Crianças e justifico a minha preferência.

É nesta fase da vida que se forma o caráter de uma pessoa e, por conseguinte, de uma geração. As crianças passaram a ser alvo preferencial do inferno, através de adultos malfazejos, que sem piedade lhes destroem a inocência e a felicidade com drogas, abusos sexuais, violência doméstica, crimes, abandono nas ruas, descuido das famílias e outras mazelas.

O que antes só se ouvia falar acontecendo predominantemente com os adultos, hoje o nível baixou tanto, o pecado se aviltou de tal maneira, que crianças recém-nascidas já são as vítimas preferidas dos pedófilos e dos rituais de magia negra ou de venda de órgãos.

O inferno sempre tramou contra as crianças, pois sabe que se conseguir deturpar o seu caráter, dificultar o seu futuro ou simplesmente destruí-las terá derrotado toda uma geração.

No êxodo do povo de Israel do Egito, há cerca de 3.500 anos, Faraó enxergou essa questão. Moisés queria sair com todo o povo para adorar ao Senhor Deus no deserto, mas Faraó lhe disse para ir somente com os adultos, mas que deixasse as crianças. Ele entendia que isso não somente dificultaria sobremaneira o futuro do povo de Israel, mas também lhe proveria escravos leais e totalmente identificados com ele no futuro. (Ex 10.9-11)

Isso pode parecer figurativo para nós, hoje, mas é exatamente o que tem ocorrido nas ruas e praças de nosso querido Brasil. Um "outro Faraó" tem tentado impedir o futuro de nossas crianças, assim como gerado escravos leais, mas isso passa despercebido.

Pais omissos, governantes insensíveis, líderes despreocupados com o futuro das crianças, são todos figuras a serviço de Faraó. Biblicamente falando, Faraó é um tipo de Satanás, o ladrão milenar de todas as gerações que, segundo Jesus, "vem somente para roubar, matar e destruir" (Jo 10.10).

Há lugares neste país em que o tráfico de drogas utiliza crianças não somente como "aviões", ou transportadores de drogas, mas também como soldados, usando armas de fogo de grosso calibre. Uma dessas crianças, perguntada por que vivia assim, disse que não tinha jeito, pois sabia que ia morrer cedo e que estava "aproveitando a vida".

Crianças nos semáforos pedindo esmolas, ou dormindo nas marquises dos prédios, ou cheirando cola, ou fumando crack, é fruto do abandono dos pais e das famílias, mas também é falta de interesse do poder público. Isso também é responsabilidade de toda a sociedade, pois é esta que vai pagar a altíssima conta.

As igrejas também precisam investir nas crianças. Muitas vezes estamos focados preferencialmente nos adultos, achando que ganhá-los para Cristo é uma grande coisa, e não deixa de ser. Mas levar uma criança a Cristo tem potencialmente muito maior ganho.

O evangelista Moody contou que, após o apelo numa de suas campanhas de evangelização, vieram à frente duas pessoas: um velho e uma criança. Ele então falou: "Aqui estão um velho e uma vida inteira para Cristo". Precisa dizer mais?

Paulo lembrou ao jovem Timóteo, em carta, que "desde a infância" ele sabia as sagradas letras, que podiam torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus (2 Tm 3.14-15). E que diferença fez Timóteo na vida de muitas pessoas!

Tomara que neste mês de outubro nossas ações como pessoas, como igreja e nação provem que preferimos ser responsáveis por nossas crianças. Ao pensamos assim, nos identificamos com Jesus, quando disse: "Ajudem as criancinhas a vir a mim e não as impeçam. Quem não se fizer como uma criança não entrará no reino de meu pai. Aí de quem fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim".

Minha gente da igreja e do Brasil, vamos fazer algo sério em favor das crianças, principalmente das que estão nas creches, orfanatos ou abandonas nas ruas.

Na Assembleia de Deus em Belém, a Missão com Crianças tem feito um bom trabalho. Estamos em campanha, através da Boas Novas, para ajudar a creche Cordeirinhos de Deus, que presta relevantes serviços em cuidar de 170 crianças. Visite, apóie, ore e contribua para suprir as suas necessidades.

As crianças vencem as outras celebrações de outubro, principalmente porque todo dia é dia de cuidar das crianças.


Samuel Câmara - Pastor daAssembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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domingo, 11 de outubro de 2009

Todo dia é dia das crianças

Depois de uma dura jornada de trabalho, Jesus volta para casa a fim de descansar com seus discípulos. Nesse momento, alguns pais trazem suas crianças para que Jesus as toque, mas os discípulos os repreendem severamente. Decerto, a hora era inoportuna, eles mereciam descansar. Mas não era o que Jesus pensava.

Em vez de concordar com os discípulos, Jesus, vendo como eles tratavam as crianças, indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava" (Mc 10.13-16).

É importante vermos, nesta narrativa, as crianças como elas geralmente são: irreverentes, inquietas, nunca andando, mas sempre correndo, raramente silenciosas e quase sempre barulhentas. Tudo o que elas queriam era chegar perto de Jesus, tocar Nele, sentar no Seu colo.

Foi neste ponto que os discípulos se descobriram como "guarda-costas" de Jesus, embora isto implicasse em excluir as crianças de serem abençoadas. Eles não perguntaram se Jesus queria tocar as crianças e abençoá-las, ou se elas estavam atrapalhando com sua correria e vozerio. Eles simplesmente decidiram pelo Mestre.

Mas Jesus fica indignado. Então, Ele transmite uma lição muito clara: o reino de Deus é das crianças; e qualquer adulto que deseje entrar nesse reino deve se tornar como uma criança. Em outras palavras: a religião que realmente conta é aquela que prioriza as crianças, que as instrui no caminho do Senhor, que as faz participantes das bênçãos dos céus, pois elas são o padrão de aferimento para entrada no reino de Deus.

Não é incomum as crianças serem esquecidas ou repreendidas. Principalmente quando elas irritam os "guarda-costas" da religião. Foi o que aconteceu quando Jesus chegou a Jerusalém e as crianças cantavam em sua homenagem: "Hosanas ao filho de Davi" (Mt 21.15-16).

Os "guarda-costas" da religião ficaram indignados com Jesus porque não repreendida aquelas irreverentes crianças. Mas Jesus simplesmente respondeu que era da boca das crianças que Deus tirava o perfeito louvor.

Não são poucos, infelizmente, os que deixam de dar a devida atenção às suas crianças. Mas é nessa fase da vida que se forma o caráter de uma pessoa e, por conseguinte, de uma geração. As crianças passaram a ser alvo preferencial do inferno, através de adultos malfazejos, que sem piedade lhes destroem a inocência e a felicidade com drogas, abusos sexuais, violência doméstica, crimes, abandono nas ruas, descuido das famílias e outras mazelas.

Lembro-me da triste história de um pai que esqueceu sua filhinha trancada no próprio carro. Ele deveria deixá-la na creche antes de ir para o trabalho, mas como estava muito preocupado com seus afazeres, acabou esquecendo-a. Deixada sozinha no carro, por causa do calor excessivo, ela acabou morrendo desidratada. Essa dolorosa lembrança acompanhará esse pai para sempre.

Enquanto esse pai, inadvertidamente, esqueceu sua filha, muitos outros pais estão esquecendo deliberadamente seus filhos - seguindo tão somente seus desejos egoístas. Esquecem-se de seus filhos quando se envolvem em um caso extra-conjugal; quando se entregam aos prazeres; quando se afundam no trabalho; quando se dão a inúmeras outras distrações. Enquanto isso, seus filhos são deixados sem a orientação que somente os pais podem dar.

Infelizmente, não poucos pais têm transferido exclusivamente a outros (ao estado ou à escola, por exemplo) a formação moral e ética de seus filhos. Mas isto é um engano de custo altíssimo e de resultado duvidoso.

A Bíblia oferece a seguinte orientação: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele" (Pv 22.6). Não basta apontar o caminho, é preciso andar com os filhos "no caminho", ou seja, dando o exemplo e vivendo e ensinando os valores morais e espirituais.

Se quisermos ensinar os nossos filhos um bom caminho, devemos primeiro conhecê-lo. Você já conhece o caminho para Deus? Conhece aquele que disse: "Eu sou o caminho"? Assim, leve seu filho por esse caminho e vá junto com ele. Você tem mais experiência e pode mostrar os perigos e as belezas da estrada. Quando seu filho crescer poderá ir sozinho, ou levando com ele seus próprios filhos.

Não abdique da instrução de seus filhos no caminho do Senhor. Faça o dever de casa, pois assim estará contribuindo para um Brasil melhor.

Samuel Câmara - Pastor daAssembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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sábado, 3 de outubro de 2009

Faz parte do Presente

Uma garotinha resolveu dar de presente à sua professora uma linda e rara concha marinha. "Onde você a conseguiu?" - perguntou a professora. A garotinha respondeu que aquele tipo de concha só era encontrado em uma praia muito distante dali. A professora ficou profundamente comovida, porque sabia que a menina havia caminhado vários quilômetros para achar a concha. "Você não deveria ir tão longe só para me trazer um presente". Ao que a garotinha riu e respondeu: "A caminhada faz parte do presente".

As crianças às vezes conseguem captar valores em coisas que normalmente os adultos não veem nada interessante. Essa esperta garotinha provavelmente não sabia que estava exprimindo uma verdade a respeito de Jesus Cristo, que veio à terra como um presente do amor eterno de Deus pela humanidade - "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).

A dádiva de Jesus também começou com uma longa jornada. Ele deixou a glória dos céus e veio para a terra, que estava imersa no pecado e na injustiça, tomou a nossa natureza humana ("E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade") e percorreu o longo caminho da cruz. Lá, tomou como Seus os nossos pecados, pagando por eles com Seu próprio sangue.

Cristo, "sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos" (2 Co 8.9).

Ele dá o maravilhoso presente da vida eterna a todo aquele que Nele crê. Nós nada merecíamos, "porque o salário do pecado é a morte", porém Deus colocou um "mas", quando acrescenta: "mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6.23).

Com a vinda de Jesus, "a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens" (Tt 2.11).

Jesus foi longe demais para nos dar esse valioso presente! Ele foi às últimas consequências. Veja só o que Ele fez: "Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.4-6).

Jesus é o grande presente de Deus, em cujo nome achamos a salvação: "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4.12).

E quando diz "em nenhum outro", é exatamente isso que quer dizer: nem Moisés, nem Maomé, nem Buda, nem Chrisna, nem anjos, nem santos, nem Maria, nem José, nem Pedro, nem outro nome dado entre os homens. Só Jesus salva!

E por que só Ele salva? Porque "É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Rm 8.34).

Fale diretamente com Jesus agora sobre a sua situação, pois só Jesus é o nosso Intercessor: "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Tm 2.5).

E, finalmente, quando dizemos a Ele em gratidão: "Foi demais, Jesus, o Senhor não deveria ter feito tanto; não deveria ir tão longe". Podemos imaginá-lo fitando-nos com olhos cheios de ternura e dizendo mansamente: "A caminhada faz parte do presente".

Samuel Câmara - Pastor daAssembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quando Deus envia

Deus ainda chama e envia Seus servos para realizarem obras especiais. Essa é uma verdade que pode ser facilmente demonstrada pelos muitos exemplos de vidas abnegadas e fiéis ao Senhor que cumpriram cabalmente o seu chamamento. Mas, infelizmente, há aqueles que falharam, ou porque não foram fiéis ou porque desistiram no meio do caminho.

De qualquer modo, em ambos os casos, cada pessoa chamada teve de tratar com algumas questões, do mesmo modo que nós hoje em dia. Uma vez enviado por Deus, como você esperaria ser tratado? Como um diplomata na entrega de suas credenciais? Como alguém importante com um chamado do céu? Reconhecido e honrado por todos?

Como você esperaria se sentir? Alguém importante e confiante, sabendo exatamente para onde está indo e o que deve fazer? Como um “engenheiro” de Deus de posse de uma planta exata do projeto a ser executado?

O que poucos se dão conta num primeiro momento é que nossos primeiros passos no serviço de Deus, mesmo imbuídos da certeza da chamada, poderão ser o fim de nossas esperanças e sonhos, não o começo. Isto porque os começos de Deus para os Seus servos geralmente em nada se parecem com os fins que Ele tem em mente.

Isto está de acordo com o que afirma o próprio Senhor: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.8-9).

Quando os planos de Deus parecem impossíveis de serem compreendidos numa primeira instância, os exemplos das histórias de vários servos do Senhor servem de grande consolo. O que dizer de José, que da prisão foi guindado à posição de governador do Egito? O salmista afirma: “Adiante deles enviou um homem, José, vendido como escravo; cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros, até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do Senhor” (Sl 105.17-19).

O apóstolo Paulo, quando chamado, jamais poderia imaginar as grandezas das revelações com que seria contemplado. Ele começou com descrédito da própria Igreja que perseguira, assim como rejeitado e perseguido pelos antigos amigos fariseus. Ainda por cima, o próprio Senhor falou a seu respeito: “Pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.16). O que começou em aparente perda foi dando certo, mas tudo lhe foi mostrado passo a passo, nunca de uma só vez.

Tito, enviado a Creta, reclamava-se da indolência e insinceridade beligerante dos cretenses. Estava isolado, sozinho, sem uma equipe treinada, em muitas desvantagens e perigos. Mas Paulo lhe faz saber o sentido de seu chamamento, quando diz: “Por esta causa, te deixei em Creta” (Tt 1.5). Tito ainda não tinha conseguido entender que era exatamente por aqueles motivos incomodantes que ele fora enviado para realizar a sua missão ali. Ele não dispunha de toda a planta do projeto, só tinha de ser fiel e seguir passo a passo.

Destes e de tantos outros exemplos, podemos entender que ser enviado por Deus poderá começar com perdas, não com ganhos: perda de emprego, em vez de conseguir trabalho; perda de reputação, em vez do louvor de outros; perda de apoio de parentes e amigos, em vez de suporte.

Poderá também envolver o enfrentamento de injustiças: ser penalizado, mesmo tendo sido honesto e se recusado a ceder; ser banido pelos próprios irmãos e amigos, mesmo tendo sido fiel a todos; receber a imputação de crimes, embora não os tendo cometido.

Poderá igualmente doer tanto quanto os grilhões de José na prisão; ou como os desprezos e perseguições sofridos por Paulo; ou como o pouco caso que fizeram de Tito.

Se Deus lhe deu um começo difícil, não desista; antes, peça-lhe forças para ir até o fim com humildade, sinceridade de coração e fidelidade ao seu chamamento. E tenha em mente que o Deus que lhe enviou também o amparará até que você cumpra o propósito para o qual foi chamado.

Samuel Câmara - Pastor daAssembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe
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sábado, 19 de setembro de 2009

Vivendo no limite

Há muitos anos, a propaganda de uma conhecida marca de automóveis alardeava confiantemente: “Viva sem limites com o carro ‘tal’... e viva a vida”. O anúncio soava como se dirigir um carrão novo daquela marca desse total liberdade para fazer qualquer coisa que o coração desejasse. Mas é claro que tais apelos nunca significam exatamente o que dizem. Pois quem já ouviu falar de uma vida “sem limites”?

Apelos publicitários desse tipo têm uma razão de ser: muitos desejam viver uma vida sem limites. Milhões estão fazendo exatamente isso, e a maioria deles nem mesmo tem um “carrão”.

Na verdade, não existe vida sem limites, em qualquer que seja a dimensão. Os que praticam esportes radicais sabem que o máximo que conseguem é viver “no limite”. Deus criou leis físicas que dizem exatamente isso: quem quiser passar do limite vai sofrer as consequências.

Pense na lei da gravidade. Um homem não será mais livre por se lançar de um prédio de dez andares. Quem desafia essa lei além do limite consegue, no máximo, alguns segundos de pura adrenalina... para então se arrebentar no chão. É necessário, antes, se cercar de cuidados, usar apetrechos de proteção, seguir certas regras; é preciso ter controle da situação de risco, pois o desastre está logo ali depois do descuido.

Ora, se é assim quanto às leis da física, como não seria com as leis espirituais? Não são poucos os que rejeitam a autoridade e relevância da Palavra de Deus, a Bíblia, dizendo-a ultrapassada, no mínimo alardeando a sua não validade para os dias atuais. Mas o que isso muda?

Ficar repetindo que a lei da gravidade não existe não a torna inoperante nem nos livra dos tombos. Dizer que as leis de Deus não existem, igualmente, e proceder em desacordo, não nos torna isentos das consequências.

Não são poucos os que praticam o sexo fora do casamento, recorrem ao aborto, vivem em práticas homossexuais, aceitam a corrupção, pirateiam produtos, buscam levar vantagem em tudo, vivendo como se tais comportamentos fossem inteiramente aceitáveis. E de certa forma algumas sociedades não ligam a mínima. “Faz parte” dizem.

As pessoas e, em última instância, as sociedades tornaram-se sua própria autoridade para determinar o que é certo ou errado. E chamam isso de liberdade!

Viver a liberdade não é uma questão de viver do jeito que se quer, mas viver dentro das leis de Deus e desfrutar dos seus benefícios. É o que se espera de todos os cristãos, como diz Paulo: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.13).

A proposta ilusória de viver sem limites sempre passa pela falta de amor a si e ao próximo, e isso jamais trará liberdade.

A minha oração é que Deus continue levantando profetas para anunciarem aberta e corajosamente o caminho da verdadeira liberdade, que não tenham medo de chamar o pecado pelo nome, que não negociem os valores espirituais revelados na Bíblia; em suma, que não alarguem o caminho da salvação, mas mostrem o quanto é “estreito”.

Foi o que fez o pastor Joe Wright, convidado para discursar na sessão de abertura do Congresso do Kansas (EUA), em janeiro de 1996. Em vez do discurso de praxe, ele fez a seguinte oração:

“Pai celeste, nós estamos diante de Ti hoje para pedir Teu perdão e para buscar Tua direção e liderança. Nós sabemos que Tua Palavra diz: “Cuidado com aqueles que chamam o mal de bem”, mas isto é exatamente o que temos feito.”

“Nós perdemos nosso equilíbrio espiritual e revertemos nossos valores. Nós exploramos os pobres e chamamos isso de loteria. Nós recompensamos preguiça e chamamos isso de bem-estar. Nós cometemos aborto e chamamos isso de escolha. Nós matamos os que são a favor do aborto e chamamos de justificável.”

“Nós negligenciamos a disciplina de nossos filhos e chamamos isso de construção de auto-estima. Nós abusamos do poder e chamamos isso de política. Nós invejamos as coisas dos outros e chamamos isso de ambição.”

“Nós poluímos o ar com coisas profanas e pornografia e chamamos isso de liberdade de expressão. Nós ridicularizamos os valores dos nossos antepassados e chamamos isso de iluminismo. Sonda-nos, oh, Deus, e conhece os nossos corações hoje; nos limpa de todo pecado e nos liberta. Amém!”

Viver sem limites só causa prejuízos. Mas viver no limite da vontade de Deus conduz à salvação. Qual a sua decisão?

Samuel Câmara - Pastor daAssembléia de Deus Belém / PA - Igreja Mãe

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